1QUANDO ERA JOVEM, fiz um trato com Deus. Nunca olharia para uma mulher com intenções impuras em meu coração. 2Eu sabia que fazendo isso traria sobre mim a ira de Deus e perderia a sua bênção. 3Sabia também que Deus tem um castigo reservado para os que vivem em pecado, profunda tristeza para quem insiste em desobedecer a Ele. 4Afinal, Deus conhece perfeitamente a minha vida e sabe tudo que eu faço. 5Se por acaso eu menti ou enganei alguém, 6Deus sabe que não, que sou inocente, 7se andei fora do caminho de Deus, se meu coração desejou com intenções impuras o que meus olhos viram, se eu for culpado de algum pecado qualquer, 8desejo que outros fiquem ricos às minhas custas, comendo o que eu plantei e arrancando para si as minhas plantações. 9Se eu desejei em meu coração roubar a mulher de algum outro homem, 10minha esposa há de se tornar amante de outro homem e dar a ele o seu amor. 11Isso seria um castigo justo para um crime terrível, digno de ser julgado num tribunal. 12Sim, esse forte desejo sexual é um fogo que arde dentro do homem e pode até destruir sua vida, acabar com suas riquezas e bens. 13Se eu fui desonesto com meus empregados quando eles me faziam algum pedido, 14que esperança teria eu quando Deus me chamasse para prestar contas? O que eu Lhe diria se Ele me perguntasse a respeito de meus empregados? 15Afinal, o mesmo Deus que me criou também criou meus empregados. 16"Se explorei os pobres, guardando o alimento para vender mais caro na época do preço alto, se fiz viúvas chorarem, 17se comi até não poder mais enquanto os órfãos morriam de fome, 18( a verdade é que desde a minha mocidade eu cuidei de órfãos em minha própria casa e sempre ajudei as viúvas ), 19se deixei alguém morrer de frio por falta de agasalho, se não dei coberta a quem não tinha dinheiro para comprar um cobertor, 20se os pobres não me abençoaram ao sentir o calor da lã das minhas ovelhas, 21e se eu ganhei riquezas às custas dos órfãos por ser amigo das autoridades, 22então quero que meu ombro se desloque, meu braço saia do lugar e assim eu fique aleijado para sempre. 23Isso ainda seria melhor do que enfrentar o julgamento divino, pois eu não seria capaz de enfrentar a grandeza e o poder de Deus. 24Se eu coloquei minha esperança nas riquezas, 25se me considerei seguro por ter muito dinheiro e por ter ficado muito rico, 26se olhei para o sol brilhante ou para a lua bem clara num céu sem nuvens 27e me deixei enganar, adorando um ou outro, e jogando beijos com a mão para o céu, 28isso também deveria ser julgado como crime, num tribunal, porque eu estaria negando a existência de Deus. 29Se eu me alegrei ao ver meu inimigo sofrendo e passando por dificuldades, 30( coisa que eu absolutamente nunca fiz, e nunca prometi vingança ou orei a Deus pedindo castigo a quem me odiava ), 31se algum de meus muitos empregados ficou ao menos um dia passando fome, 32se as portas da minha casa não se abriram para hospedar até mesmo os estrangeiros e desconhecidos, 33se eu fiz como Adão, tentando esconder de Deus os meus pecados, 34por ter medo de ser descoberto pelos vizinhos e ser desprezado pela sociedade, e assim não reconheci meu pecado, e não me desviei do caminho para ajudar outro, 35Ah, quem dera que alguém se importasse em me ouvir e acreditar em mim! Eu disse que sou inocente e assino tudo o que disse! Que o Grande Deus venha provar que estou errado! Ele que escreva as razões porque me condenou a todo esse sofrimento! 36Se Ele me desse uma declaração assim, ela teria um lugar de honra em minha vida. 37Então eu diria a Deus tudo o que fiz, com a dignidade que eu tinha antes e perdi. 38Se a minha terra me acusar e chorar porque eu matei os donos para me tornar um rico proprietário, porque colhi toda a plantação sem deixar fruto nas árvores, 39Verso contido no anterior 40quero que ela passe a produzir espinhos e ervas bravas em vez de trigo e cevada. Assim, Jó terminou a sua defesa.